Parte 1. Novos em folha.
Acordamos bem cedo e nos despedimos da Alizzia e do Ziggy, a humana e o cachorro que responderam ao recado de última hora do Daniel no couch surfing e salvaram nossas vidas em Las Cruces. Assim a gente se safou por pouco de uma dormida incômoda no carro ou em um motel mal assombrado. E ainda economizamos bons 50 dólares.

Com a constatação da boa vontade e da simpatia das pessoas por aqui acho que devemos buscar mais hospedagens solidárias como essa pelo caminho. Nada de turismo ostentação. Foi muito legal ver a cidade pelos olhos de alguém que vive lá, trocar uma ideia, uma cerveja e ver que ainda há solidariedade e pessoas que não estão pensando em lucro e capitalizando toda a vida delas em torno disso.

Saímos de las Cruces 7 e meia da manhã, nos despedimos do Ziggy e seguimos rumo ao Arizona. Depois de passar pelo border patrol e apresentar nossos passaportes (parece que nesse país fazem questão de te lembrar o tempo todo que você é uma forasteira, confesso que sempre rola um medinho de dar merda), entramos no Arizona.

O que a paisagem tem de linda as estradas tem de desertas. Um cenário surreal de pequenos vilarejos, bem interioranos, cercados por montanhas, uma vegetação meio desértica e um céu de vários tons de azul. É uma paisagem muito diferente de tudo o que eu já vi no Brasil. A gente fica até meio bobo quando vê algo tão diferente. Paramos para um café da manhã bem americano. Panquecas, ovos e café. No caminho, uma mistura de trailers, carros gigantes, cidades pequenas e pessoas simpáticas.

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Parte 2. Destruídos.
Escrevo essa segunda parte já morta. 14 horas de estrada pra chegar em San Diego. Maluquice no fuso horário e muito sono e cansaço. Nada de detalhismo então. Todo o trajeto, desde o Novo México, passando pelo Arizona e chegando à Califórnia, foi cheio de surpresas. Não imaginei que fosse ter a chance de ver tantas paisagens diferentes em um mesmo dia. Padrarias, deserto, cactus, areia vermelha, areia branca, névoa, catavento gigante que me fez sentir pequena, sobe montanha, desce montanha, cidade pequena, cidade grande… Não conseguiria explicar em palavras tanta beleza.Tentamos com fotos (que também não passam nem uma ideia da loucura que é esse trajeto). Deu uma emoçãozinha ao dirigir por alguns lugares e me senti muito privilegiada por tudo isso. Só por ter vivido algumas horas dessa natureza, ao menos pra mim, já valeu ter saído de casa.

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Escrevo já da casa do nosso host, Ryan. Ele vive em um apartamentozinho bem simpático, limpo e organizado, e temos a sala toda pra nós. O Ryan é uma figura bem frenética, que tenta gastar um pouco da energia andando de bicicleta e trabalhando. Acho que não dá muito certo porque ele parece estar ligado na tomada o tempo todo. Infelizmente, chegamos já muito tarde de San Diego, então não conseguimos ver nada da cidade. Não conseguiríamos de qualquer forma, o cansaço não deixa. A surpresa fica pra amanhã, então.

— Jully

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